Masala chai, o escritório bagunçado e o medo

Abobada.

Pensei  em usar esta palavra como título do post. Assim, de bobo mesmo, não abóbada. Porque é como me sinto às vezes quando penso em escrever no blog porque fico sem saber sobre o que escrever, quase ninguém mais lê blogs, falar sobre minha atual coleção de bonecas soa cansativo e desinteressante e não tenho feito muitas coisas criativas, além das que mostro no Instagram

Não que eu esteja me depreciando mas acho que, inconscientemente, estou sim.

 Estou em minha terceira e última semana de férias em que optei por ficar em casa, fazendo minhas coisinhas: experimentei receitas, fiz pães, voltei a criar um levain (fermento natural), voltei a costurar. Intercalo dias em casa com passeios em cafés, livrarias e lojas de materiais para arte e artesanato. Tem dias em que me sinto relaxada mas tem outros em que tudo me aborrece e parece que acordo já com a sensação de estar perdendo tempo, que chatice!!

Tenho feito terapia há poucos meses e isso tem me ajudado muito a superar vários obstáculos e desafios e como é fascinante, curioso e doloroso o autoconhecimento.  Encarar os medos, entender os motivos e saber que isso não é uma resposta simples, está conectada em muitas e muitas camadas de memórias e sentimentos. Ontem tive um insight: o medo me define, há décadas. E eu não quero ser definida pelo medo. Tenho tantas qualidades e tanto potencial e não vai ser este sentimento que vai mandar em minha vida.

 Hoje não planejei fazer nada grandioso. Na sexta-feira passada, por exemplo, planejei costurar, o que é grandioso para mim pois eu não costurava há uma década. Fiz um vestido que não ficou bom e também uma saia, que adorei. Faz parte do aprendizado.

No sábado sofri um acidente estúpido: saí do carro desatenta, olhando de longe para uma feira onde estávamos indo almoçar, com a cabeça nas nuvens, pensando em fotografar de longe o local e então fechei a porta do carro prendendo meu polegar esquerdo. Foram segundos entre a dor absurda, meu grito e a consciência de abrir a porta de novo para me soltar. Chorei muito na hora, de dor mesmo. Meu marido e filho ficaram atônitos, só consegui vê-los depois que eu tinha aberto a porta. Não fui ao médico, por enquanto, pois consigo mexer o dedo sem dor mas o local ficou roxo e sensível. Se não melhorar vou procurar ajuda médica.

Então, por causa deste meu estado de recuperação física e consciência emocional, optei por ter um dia leve, sem muitos ou grandes planos. E vim para meu escritório com o objetivo de organizá-lo. Porque é aqui onde estão meu objetos favoritos, livros e coleções, e meu espaço para journaling e criação mas eu o utilizei tão pouco nestas férias. Quero organizar os livros nas estantes e colocar mais bonecas em prateleiras para liberar espaço na bancada de trabalhos manuais.

Antes de vir para o escritório, preparei um pouco de café solúvel para tingir uma tampa de madeira e coloquei a sobra num aromatizador, que já tinha café em pó, óleo de coco e canela em ramas e deixei queimando na cozinha. O aroma é muito aconchegante, experimenta! Descobri recentemente que a maioria dos óleos essenciais são tóxicos para pets então parei de usá-los.

 Com o aromatizador queimando, limpei uma prateleira do armário da cozinha e preparei masala chai, que é um chá indiano com várias especiarias e é energizante. 
 


Massala Chai
- 1 xícara de água
- 1 xícara de leite
- 1 saquinho de chá preto
- 6 grãos de pimenta do reino
- 2 ramas de canela
- 4 bagas de cardamomo
- 4 cravos da índia
- 1/2 colher de chá de erva doce
- 1/2 colher de sopa de açúcar mascavo (ou a gosto)

. Leve a água ao fogo, acrescente o açúcar e as especiarias e deixe ferver por 5 minutos
. Junte o leite até ferver, coloque o saquinho de chá preto e deixe em infusão por 3 minutos.
. Coe e sirva.
* Adaptei a receita para não ficar com sabor muito forte de chá preto, pois não sou muito fã.



San

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